Categoria: QUALIDADE DE VIDA

ALIMENTAÇÃO E LONGEVIDADE

A grande maioria das doenças crônicas e degenerativas tem grande relação com o estilo de vida.

Conceitos como idade biológica, longevidade e envelhecimento saudável estão nas discussões mais atuais quando o assunto é o envelhecimento. A população acima dos 60 anos cresce em um ritmo muito acelerado, por isso é importante pensar como querem estar esses indivíduos nessa fase da vida. Será que apenas aumentar a sobrevida é suficiente; e a qualidade?

Mas o que é medicina preventiva? Exames de rotina? Mamografia? Avaliação com urologista? Colonoscopia? Exames laboratoriais para possíveis marcadores tumorais? Claro que tudo isso é muito importante: detectar um câncer em fase precoce pode ser a diferença entre a cura ou não da doença. Hoje indica-se rastreamento de diabetes e dislipidemias, permitindo atuar de forma precoce nos fatores de risco para doença cardiovascular. Mas ainda há muito para se caminhar. É preciso valorizar o conceito das consultas de rotina, de acompanhamento médico regular para medidas e ações preventivas e, mais do que isso, o papel do médico como formador de opinião e disseminador do conceito de um estilo de vida saudável.

O médico deve ser, antes de tudo, um exemplo para seus pares, assumindo ele mesmo esse estilo de vida.

Mas esse não é o mundo de verdade. Hoje os médicos estão entre os profissionais com piores índices na qualidade de vida, com alta incidência de depressão, alcoolismo, consumo de drogas e suicídio. As consultas se tornaram cada vez mais rápidas, e focadas em problemas específicos. Os médicos cada vez se especializam mais, e os clínicos gerais, pediatras, geriatras e médicos de família são muito pouco valorizados nessa ditadura imposta pelos convênios de saúde.

Você é aquilo que você come, ou mais ainda: na luz dos conceitos de nutri genômica e epigenética você é o que sua mãe comeu. Uma gestação conturbada, com consumo excessivo de carboidratos refinados, obesidade e diabetes, pode ativar genes responsáveis pela obesidade no feto em formação. O consumo de álcool e fumo pode ser responsável pelo retardo de desenvolvimento fetal, baixo peso ao nascer, malformações e distúrbios no sistema nervoso central. A obesidade infantil crescente vem alimentando as massas de adultos obesos. Doenças antes nunca imaginadas para a infancia, como a hipertensão, as dislipidemias e até mesmo a obesidade mórbida, já estão presentes nessa fase da vida, chegando ao extremo da indicação de cirurgia da obesidade para adolescentes.

A obesidade, o diabetes, a hipertensão arterial sistêmica está diretamente relacionada ao sedentarismo e à adoção de um padrão alimentar inadequado. Há ainda a relação do aumento na incidência de câncer com a obesidade, tabagismo e consumo de gorduras saturadas.

E por fim a demência, a sarcopenia, que é a perda de massa e forca da musculatura esquelética, e a síndrome de fragilidade no idoso. É papel do médico, do obstetra, do pediatra, do clínico geral e por fim do geriatra a promoção desses valores e conceitos e, com isso, a prevenção dessas doenças. Mas há que se entender que esse é um processo contínuo. Quando um indivíduo sofre um infarto ou um AVC esse é um processo que vem se desenvolvendo em suas artérias há vários anos, motivado principalmente por maus hábitos, como obesidade, sedentarismo, tabagismo e descontrole da pressão arterial, entre outros.

Claro que a medicina diagnóstica com testes ergométricos, cintilografias para detecção de isquemia, cateterismos e angioplastias são procedimentos muito importantes, aumentando sobremaneira a sobrevida desses indivíduos. Mas será que esse é o único caminho possível? Será que a adoção de uma nova estratégia de medicina preventiva e de promoção de saúde não traria resultados muito melhores do que o foco na doença?

Os hábitos saudáveis na gestação, o estímulo à alimentação saudável desde a infância, a introdução à atividade física e o modelo de um estilo de vida saudável é papel dos pais. A crianca é um reflexo daquilo que vê, e os pais são os maiores exemplos. Mais do que falar é preciso adotar esse estilo de vida que gostaríamos que nossos filhos seguissem.

Artigo publicado por Dr.Rodrigo Tenório.
Médico especialista em medicina do esporte e nutrologia.

QUALIDADE DE VIDA

Os maiores culpados pelo envelhecimento (principalmente o precoce) são os maus hábitos.

Estresse, poucas horas de sono, falta de hidratação, sedentarismo e alimentação desequilibrada são apenas alguns dos hábitos de vida prejudiciais à saúde e, consequentemente, à impossibilidade de viver mais e melhor.

Alguns especialistas estimam que a longevidade se deve em cerca de 75% aos hábitos e apenas em 25% aos genes. Atitudes como fumar, consumir baixa quantidade de frutas, legumes e verduras, ingerir álcool e não realizar atividade física regular influenciam diretamente no adoecimento da população.

Nunca é tarde para começar a mudar. O importante é ter disciplina e disposição para modificar o comportamento.

Embora o envelhecimento seja um processo biológico, ele pode ser controlado. Um estilo de vida saudável é uma das chaves da longevidade e está mais do que provado que a adoção desses hábitos, seja em qual for o período da vida, diminui os efeitos negativos da vida moderna.

Mova-se!

Muitas pessoas se queixam da falta de tempo para praticar exercícios físicos. Pequenas mudanças de hábito, organizar horários e até mesmo atividades do cotidiano, podem contribuir na hora de sair do sedentarismo, incentivam à prática de exercícios e ajudam na busca por uma melhor qualidade de vida.

O sedentarismo, por si só, aumenta o risco de doença coronariana em, pelo menos, uma vez e meia. Já os exercícios diários moderados ajudam a aumentar o tempo de vida em até seis anos.